naufragar
“Não houvesse rumo, eu fugiria - para longe, bem alto, tão perto de onde, outrora, deveras, sofri. Não vingasse a solidão que deixei em meu lugar, voltaria - no entanto, que triste, mirrado, sofrido, fiquei; não pude, não deu, nem mesmo parti.”
  1. Sobre o véu negro da melodia melancólica de meu violão, degusto o último refrão da voz da felicidade. Agora, aposto no futuro indefinido e no que meu coração desejar para mim. Nas cordas tortas, corto-me e me torno a vítima dessa imensa solidão. Os cânticos me deprimem e o ritmo alucina-me. Perco o controle. O mundo saí de seu eixo original e o eco do vazio canta. As melodias destroem meus sentidos e não sou mais um ser incólume. Tremo. A escada do céu desmorona e as portas do inferno são abertas. O altíssimo cruza os braços e Lúcifer me aprisiona em suas colinas de desespero. No moinho dos ventos, sopro a agonia de minha alma e desgasto-me de histórias irreais. Me torno um sonhador em busca da tão desejada paz. No refrão mais agudo, meu ser despedaçasse e a nota comete o erro. Erro fatal? Certamente, pois a felicidade não me faz mais morada. As trevas engole-me e a melodia das sombras, ecoa em meus ouvidos. Minhas pupilas aumentam seus tamanhos; é o medo entrando em meu ser. Entro em colapso. O inverno virá eterno. O sol queima minhas retinas e a luz faz meus ossos apodrecerem. Por fim, no último suspiro do cantor, a minha carne começa a ter odor de tristeza. O cantor/poeta virá o encarregado de me remontar, mas não possui mais jeito: eu faleci.
    Na melodia do sorriso da solidão, apodreci no sistema natural do homem. Deixei a melancolia dominar-me e a escuridão fecundar seus ideias. Tornei-me a canção do desespero. Eu toquei o meu próprio cântico; o cântico da minha morte.
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  3. Criança é esse ser infeliz que os pais põem para dormir quando ainda está cheio de animação e arrancam da cama quando ainda está estremunhado de sono.

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  4. Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu.

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  5. Porque a vida segue. Mas o que foi bonito fica com toda a força. Mesmo que a gente tente apagar com outras coisas bonitas ou leves, certos momentos nem o tempo apaga. E a gente lembra. E já não dói mais. Mas dá saudade. Uma saudade que faz os olhos brilharem por alguns segundos e um sorriso escapar volta e meia, quando a cabeça insiste em trazer a tona, o que o coração vive tentando deixar pra trás.

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  7. Quando leio um livro pela primeira vez, tenho o mesmo prazer que se contraísse uma nova amizade; quando volto a lê-lo, é um amigo que visito.
  8. Um salve para Renato Russo, que já se perguntava “Que país é esse” antes de ver a merda que o país iria virar.

    (via serporestar)

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